Wednesday :: 23 / 05 / 2012
Colombia: Noticias
Noticia
07/04/2008
Estudos no exterior criam atracção trabalhista
Cursar uma pós-graduação fora do país lhe permite ao estudante aperfeiçoar um segundo idioma, relacionar-se com pessoas de diferentes culturas e profissionais de diversas áreas.
Se você analisa someramente a folha de vida de qualquer diretor de uma empresa do setor privado, o primeiro que encontra são seus estudos no estrangeiro.
Especializações, maestrias e doutorados fazem parte da 'idolatria' pela formação em diferentes instituições universitárias de talha mundial.
Talvez, caberia a pergunta, em Colômbia não existem universidades de qualidade para formar apropriadamente aos líderes empresariais? Se as há, e de muito prestígio, como é o caso dos Andes, o Icesi, a Universidade de Antioquia, a Nacional, e muitas outras, mas preparar-se fora do país gera vários valores agregados que apreciam muito as companhias, inclusive o mesmo setor público, que agora procura talentos com novas visões e critérios.
Ao estudar no exterior, diz María Lut Siza Pinto, -coordenadora do programa de Inglês e Intermediação Trabalhista de Colfuturo-, o só fato de dominar outro idioma é um ganho. Mas ademais, cursar uma pós-graduação fora do país lhe permite ao estudante interagir com profissionais de diferentes partes do mundo, relacionar-se com pessoas de diferentes culturas e conhecer o funcionamento de entidades forasteiras.
Num contexto globalizado, onde a fronteira dos negócios ficou praticamente abolida, a construção de redes sociais é quiçá tão importante como obter um título acadêmico. E estas comunidades já deixaram de ser exclusivas do âmbito local e passaram a ser universais.
Qualidade acadêmica
De maneira que, um profissional com estudos no exterior tem mais pontos a seu favor, pois para as corporações um chefe de divisão, um vice-presidente ou um diretor do mais alta casta deve ter uma noção global dos negócios.
No entanto há que deixar claro que o que faz melhor o perfil é a idoneidade da instituição e o estudo que se cursou no estrangeiro e não o simples fato de ter-se capacitado fora.
"É necessário ter cuidado com a qualidade acadêmica da pós-graduação que se elege. Em Colfuturo só apoiamos programas de alta qualidade em universidades reconhecidas e bem 'rankeadas', o que garante a boa preparação de nossos beneficiários", afirma Siza Pinto.
Ainda que Colfuturo é mal uma mostra dos colombianos que cursam pós-graduações no exterior, nos últimos 14 anos esta instituição apoiou a 1.425 profissionais de 5.408 solicitações recebidas.
A maioria deles estão em cargos diretivos do setor público e privado como Andrés Flórez Villegas, diretor do Fogafin; Catalina Ortiz Lalinde, diretora Executiva da Fundação Terpel; Tatiana María Orozco, diretora executiva de Probarranquilla; Daniel Umaña Echavarria, diretor de Compras da Drummond; Dolly Murcia, advogada de Vicepresidencia Jurídica no Banco de Crédito; Julio Torres, diretor de Crédito Público do ministério de Fazenda; Juan Carlos Rivas, diretor Musical da Fundação Batuta; Nelson Obregón Neira, diretor de Maestria em Hidrosistemas da Universidade Javeriana e Roberto Junguito, presidente de Aerorepública.
As mais solicitadas
?reas administrativas e de negócios são as de maior demanda. Seguem-lhe engenharias, direito e relações internacionais, o que não implica que outros ramos do conhecimento como a docência, o médio ambiente, as estatísticas e a antropologia não tenham cobrado interesse, sobretudo nos últimos anos.
A publicidade e o mercadeo também fazem parte da avalanche de solicitações nas universidades internacionais, apesar de que a oferta é limitada. "O que mais se procura por não existir suficiente oferta no país são os doutorados, especialmente no área de ciências básicas", precisa Siza Pinto.
Estas áreas são solicitadas por quem se querem dedicar à investigação e à docência, renglón no qual o país, por muito tempo, não lhe deu a suficiente prioridade. Com o novo enfoque de educação promovido pela ministra do ramo, Cecilia María Vélez, acordou-se um grande interesse e são muitos os requerimentos que se fazem às universidades internacionais.
Conquanto existe uma grande gama de oportunidades passando por Japão, Israel, Chinesa e a Índia, os colombianos têm predileção para formar-se nos Estados Unidos e o Reino Unido. As universidades mais solicitadas são LSE (London School of Economics) em Inglaterra e Colúmbia, Harvard, MIT (Massachusetts Institute and Tecnology) e Gergetown, em Estados Unidos.
Tarefa pendente
Mas o trecho por percorrer em matéria de cobertura e equidade é longo. Segundo um relatório do Instituto de Educação Superior de América Latina e o Caribe, o 60 por cento das matrículas em carreiras técnicas como informática, engenharia e agroindústria- se concentra em três países: Brasil, México e Argentina. É necessário precisar que isto obedece, em parte, ao número da população.
No entanto, a mesma entidade adverte que desde o ponto de vista demográfico, são Argentina, Panamá e Venezuela os estados com maior população universitária, ainda que muitos dos egresados estudam carreiras que não vão de acordo com a demanda.
Leste é um grave problema adverte Horacio de Martini, diretor regional da assinatura de recrutamento Manpower, o que indica que América Latina não compreendeu em toda sua dimensão as características do mundo globalizado.
Mas também influem fatores estruturais: muitos dos estudantes de carreiras tecnológicas não têm o suficiente tempo (trabalham e estudam), as universidades têm vagas que não se enchem por custos e os programas não avançam com a mesma rapidez da tecnologia. Assim é como surge um divórcio entre a oferta trabalhista e os requerimentos do mercado.
As novas generacionesSi bem Colômbia não aparece nos três primeiros lugares do ranking regional de população universitária com estudos superiores, o talento nacional e os executivos são reconhecidos internacionalmente.
As mesmas universidades, são conscientes disso, e cada dia aprofundam mais nos temas de alta direção, liderança e ajustam seus programas às necessidades do mundo globalizado.
Os esforços, de qualquer jeito, seguem sendo insuficientes, entre outras coisas, porque pela situação econômica é muito o potencial que não tem acesso à educação de qualidade.
Francisco Piedrahita, reitor do Icesi, sustenta que "o país precisa que a nova geração de dirigentes na indústria, o comércio e os serviços, conte, não só com os conhecimentos mais avançados nas disciplinas administrativas, senão com as concorrências profissionais requeridas para enfrentar grandes reptos e oportunidades".
O Icesi, por exemplo, tem um convênio com a Universidade de Tulane New Orleáns- para desenhar módulos e planos de estudo inovadores, com as metodologias mais inovadoras e com clara orientação internacional.
E não saber inglês já não tem desculpas. Quem não o domine está por fora do mercado de qualidade. É uma ferramenta insubstituível, indispensável para o sucesso, afirma José Manuel Acosta, de Human Capital Consulting. Tão é assim, que o próprio ministério de Educação o tem como uma concorrência fundamental.
"A introdução do ensino de um idioma está diretamente relacionada com o desempenho acadêmico e responde a três necessidades: manejo de outras áreas do currículo, a exigência das universidades para poder realizar estudos superiores e as exigências do mercado trabalhista, no tecnológico, o científico e o cultural", sustenta Ricardo Romero, consultor em políticas para o ensino deste idioma.
Publicidad