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27/08/2007
Estudantes de Música da UNAB vencem em Festival Hatoviejo Cotrafa
Diana Minerva Flórez e Natalia Morales, estudantes da Faculdade de Música da UNAB, não podem ocultar sua satisfação pelo triunfo atingido no Festival Hatoviejo Cotrafa (Bello, Antioquia), onde receberam os melhores comentários do júri e o público por seu bambuco "Gota de Sol".
A interpretação correu por conta de " Trapiche Molé", uma agrupação também conformada por estudantes da Faculdade de Música da UNAB, que igualmente receberam uma distinção.
Quem diga que a música colombiana é para a terceira idade ou para quem não saíram do campo, está errado de cabo a rabo. Isso é o que demonstraram Diana Minerva Flórez e Natalia Morales, acompanhadas pela agrupação "Trapiche Molé", quem sacaram a coragem suficiente para lançar-se a águas profundas submetendo a consideração do público e do júri seu bambuco "Gota de Sol" no XXI Festival Hatoviejo Cotrafa.
Considerado o segundo em seu gênero â¤?depois do "Macaco Nuñez"â¤?, este certâmen artístico realizado do 12 ao 14 de julho passado na cidade de Bello (Antioquia) viu chegar a um grupo de cinco jovens santandereanos que se baixaram extenuados do ônibus de Copetrán e durante três dias tentaram acalmar seus nervos enquanto se codeaban com o creme e nata da música andina e llanera colombianas.
Diana Minerva Flórez, 24 anos de idade, e Natalia Morales Gómez (22) levavam a ilusão de que as escutassem e tentar abrir-se passo num evento tão xingado como o organizado pela Cooperativa de Trabalhadores de Fabricato. Flórez, estudante de décimo semestre â¤?ênfase Piano clásicoâ¤? da Faculdade de Música da UNAB, como compositora do bambuco e Morais, estudante de sexto semestre na ênfase Músicas populares, como a responsável da música.
Suas esperanças estavam fincadas na interpretação que fizessem María Cristina Prata Morantes, Paola Patricia Arias Cijanes e César Andrés Castro, integrantes de Trapiche Molé, e também estudantes da Faculdade de Música da UNAB.
Já de por si era um privilégio que sua obra tivesse sido selecionada como semifinalista entre 23 propostas enviadas a disputar o título de Melhor obra inédita vogal, mas elas iam por mais. Assim que trataram de desacelerar seu pulso quando os conformes de "Gota de Sol" irromperam na concha acústica de Bello, impactando a um público que as compensou com um aplauso fechado e a um júri que na noite do 14 de julho não se demorou muito tempo em chegar a um consenso. Ganhadora: "Gota de Sol".
Nesse instante as diminutas figuras de Diana Minerva e Natalia deixaram de gravar com a câmara portátil que um amigo lhes prestou e saltaram ao palco a abraçar-se com María Cristina, Paola Patricia e César Andrés.
O experimento de Diana Minerva, quem uma tarde se sentou ao piano em seu cubículo de classes, tarareó uma tonada e se a passou a Natalia para que lhe pusesse letra, estava dando os melhores frutos.
É uma imagem singela de uma luz caindo como chuva, por isso se chama "Gota de Sol", diz Natalia, quem afirma que ainda que não se note, "neste momento há um movimento forte de música colombiana que renova o folclor, e ainda que não lhe abram um espaço nos meios em massa de comunicação, existe e são cada dia mais os jovens que estão nestes festivais".
À hora de falar de que tipo de gente consome este tipo de música, Natalia argumenta que é um grupo seleto, mas que isso não pode servir de desculpa para não o fazer, "porque a gente se vai apaixonando das boas coisas que se lhe vão apresentando".
Até aí bem, mas como se explica que alguém de Barrancabermeja não incorra em vallenatos e sim explore os terrenos do bambuco? Então é Diana Minerva quem responde: "A um estando na Universidade se lhe abrem as possibilidades musicais e o que segue depende do interesse pessoal o querer experimentar não só de onde um vem senão até onde pode chegar. Os professores não nos negaram essa oportunidade e contamos com o maestro Rubén Darío Gómez, quem foi nosso mentor quanto a composição e arranjos".
"Gota de Sol", adverte Diana Minerva, não é a típica canção que fala da terra e do amor, senão que está inspirada "nas experiências da meninice num povo como Barranca".
"É a remembranza do "coco" que ia atirar-nos as patas se não nos acostábamos temporão. Por isso fala de um "cuco" sonhador â¤?como lhe dizem em Barrancaâ¤? que é dono das ciénagas, as folhas e os grilos, de tudo, incluído o amor. O "cuco" vai boiando por aí, com o céu aberto sem que a cidade possa atingí-lo", diz Natalia. "É uma coisa etérea mas muito bonita. Esâ¤? um "bambuco barramejo"", circunscreve Diana Minerva.
Formação e qualidades, essa é a mistura que lhes permitiu engendrar "Gota de Sol"; não a casualidade. Assim o explicam ao dizer que ambas se encontram num intenso processo de composição desde faz um ano. "Esta canção não foi pensada para um concurso senão para um projeto musical que temos e se chama "Aguacal"", diz Diana Minerva sem esconder seu acento das ribeiras do Magdalena.
Por ser a melhor obra inédita vogal, Cotrafa lhes entregou um troféu com a casa onde nasceu o presidente Marco Fidel Suárez e 650 mil pesos, somando-se a Sociedade de Autores e Compositores (Sayco), que as premiou com mais dois milhões.
Mas como se esta distinção não fora suficiente, os três integrantes de "Trapiche Molé", também ocuparam o segundo lugar na modalidade de melhor interpretação vocal, pelo que ganharam outro troféu e um milhão de pesos.
E assim, carregados de satisfações e reconhecimentos, os cinco santandereanos se subiram ao ônibus de regresso com o compromisso de seguir apostando-lhe à música colombiana, para o qual desde já trabalham em seu primeiro disco, melhorando o terceiro já que atingiram recentemente no Festival de Duetos Príncipe da Canção, levado a cabo em Ibagué (Tolima).
"Leste é nosso acordar e significa que podemos fazer melhores coisas. É o começo do caminho e de uma carreira que pode ser exitosa", reflexiona Diana Minerva, quem depois de um brinde com seus amigos da UNAB, de imediato se sentou a seguir compondo sem deixar de pensar nas raízes populares e na nova música colombiana nas que tanto lhes insiste seu decano, o maestro Jesús Alberto Rei Mariño.
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