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14/07/2008
Dança da Índia feita em Colômbia
Dirigidos pela reconhecida bailarina índia Anandita Basu, o grupo musical Turiya e a companhia de dança Mudra, conformada por estudantes colombianas, explora a riqueza da cultura oriental e a põe ao alcance do público bogotano. O espetáculo se voltará a apresentar em Bogotá o 24, 25 e 26 de julho no Teatro Livre de Chapinero.
A dança da Índia é um reflexo do espírito de quem dança e cada movimento tem um significado. O acento da expressão está nas mãos, formando figuras ou mudras que simbolizam estilizadamente animais, elementos naturais ou personagens míticos, que a sua vez representam estados do alma. O ritmo leva ao corpo a entrar em harmonia com a música mediante movimentos gráciles e vistosos, que estimulam e fazem fluir a energia interna, projetando-a para o exterior. Esta sensação é parte do que viveu o público que assistiu ao espetáculo no marco da temporada Gêneros 2008 realizada pelo Teatro Livre de Chapinero em Bogotá.
A bailarina, música e coreógrafa Anandita Basu, nascida em Calcutá, Índia, é reconhecida por sua ampla trajetória na docência e na difusão da cultura de seu país. Começou a estudar música e canto à idade de quatro anos com sua mãe e guru Anjana Basu. Estudou sociologia na British University of Calcutá e tem várias pós-graduações em ritmos e instrumentos clássicos de seu país. Trabalhou com diversos organismos internacionais em projetos e espetáculos em pró da cultura índia, e em 2004 o governo lhe outorgou o prêmio à melhor docente do país. Domina muitos ritmos entre os que se destacam o Kattak, o Bharatnatyam, o Odissi, as danças folclóricas e o Bollywood. Anandita iniciou o espetáculo com vários números como solista executando bailes folclóricos e peças de flamenco índio.
No segundo ato, singelamente sentados no andar em posição de loto, os músicos de Turiya reviveram a essência milenar da cultura oriental através de ritmos folclóricos da Índia e Paquistão comandados pelo som da tabela, instrumento de percussão com uma voz hueca e aguda que lhe dá um fundo muito característico à música índia, secundado pela melodia do armonio, encantador instrumento aerófono com um pequeno teclado que esse executa só com a mano direita. O grupo Turiya está conformado por músicos e cantores de vários países do mundo, mas para esta apresentação esteve conformado em sua totalidade por jovens colombianos que percorreram com maestria de um extremo a outro a música índia desde o kattak e o hawalli até a fusão com o flaming.
Por sua vez, sete jovens bailarinas do grupo Mudra, pertencentes a diversas carreiras das universidades Javeriana e Jorge Tadeo Lozano de Bogotá, realizaram coreografias de dança clássica e também de bailes mais contemporâneos como o Bollywood, estilo nascido da indústria cinematográfica de Bombay, cujo componente musical apropriou as raízes da dança índia misturando-a com matizes e elementos dos bailes ocidentais, dando como resultado um espetáculo místico e ao mesmo tempo colorido e cheio de movimento.
Três das bailarinas de Mudra: Angélica Villegas, Anna María Forero e Claudia Ospino.
No meio do espetáculo o público recebeu uma pequena sessão de meditação guiada pela própria Anandita, quem aproveitou para explicar o sentido desta atividade como a busca da harmonia com o mundo e a estimulação da energia interior ou kundalini, que pode ajudar às pessoas a relaxar-se e a ter uma melhor conexão com seu meio, independentemente de suas práticas religiosas ou culturais. Ao fechamento, o público teve a oportunidade de subir ao palco a dançar com músicos e bailarinas numa só celebração.
Anandita e seu grupo de artistas esperam seguir trabalhando e aparecendo nos palcos colombianos, propiciando uma das melhores oportunidades para apreciar ao vivo uma das manifestações musicais mais místicas e formosas, forjada através de milhares de anos e enriquecida por cores, sons e movimentos profundos. Uma dança que vai além do corpo numa incansável busca do espiritual. Atualmente Anandita Basu é docente dos cursos de cultura e baile da Índia da Faculdade de Artes da Pontifícia Universidade Javeriana de Bogotá, que estão abertos a toda a comunidade. Também oferece sessões gratuitas de meditação todos os sábados às 4 p.m. no centro Colsubsidio da Rua 26 em Bogotá.
Anandita Basu com o grupo de artistas que a acompanhou em Bogotá.
A tendência denominada Bollywood aparece como uma combinação da inical da cidade de Bombay e a palavra Hollywood, para referir-se à indústria cinematográfica índia, que nas últimas décadas conseguiu um grande desenvolvimento com uma série de rasgos particulares herdados da cultura e a arte oriental, mas com o caráter comercial, a parafernália e as celebridades da indústria do cinema ocidental. Uma das características destes filmes é seu grande componente musical. Com freqüência nas películas aparece o canto, o baile e as grandes coreografias, e isto ajudou ao desenvolvimento de um estilo particular de baile que já faz escola em diferentes partes do mundo. O trabalho de Anandita Basu é exemplo disso.
Dentro do bollywood dance, os passos e movimentos das danças clássicas da Índia se combinam com os comportamentos, e as rotinas dos espetáculos ocidentais, e a música que conserva suas raízes e sua percussão típica, adota também elementos do pop e inclusive da eletrônica.
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